Categoria

Metrópole

A mancha urbana guarda muitos segredos... E você não está interessado em descobrí-los.

Existem 4 artigos nesta categoria.



Recorde!

19 de Março de 2009

Categoria: Metrópole

Obrigado Sampa! Por permitir que eu quebre mais um recorde em minha vida! Desta vez de trânsito, levando seis horas e meia de viagem para fazer um percurso que normalmente faço em uma hora e meia.

No dia 17 de março embarquei no fretado às 16:30, este supostamente me levaria, em menos de uma hora e meia, do IFUSP até o ABC Paulista, onde moro. Uma hora depois percebi que tinha apenas acabado de sair da Cidade Universitária, tudo bem, trânsito depois de chuva é normal.

Na segunda hora de percurso, percebe-se todos ligando e recebendo telefonemas de seus familiares, adicionando sempre "eh, acho que vai demorar um pouquinho mais, tá transito".

Na terceira hora, as atividades que normalmente todos fazem para passar o tempo na viagem já começam a ficar insustentáveis, como estudar, ler livros, dormir, ouvir música (ou a bateria do aparelho acaba, ou já se ouviu todas as músicas nele contidas). Começa-se a busca por outras alternativas...

Quarta hora: a vontade de ir ao banheiro aperta. Mas esse é facil, é só sair do ônibus, atravessar a Bandeirantes e usar o banheiro do postinho. De quebra ainda pode comprar um salgadinho na loja de conveniências. Na volta, é só se revoltar um pouquinho pois o ônibus não saiu do lugar, e os aviões entram e saem do aeroporto ao lado dele, como se nada estivesse acontecendo.

Além disso, é entre a terceira e quarta horas também que principia-se uma certa sociabilização. Geralmente com alguém perguntando "Você sabe se existe alguma estação de metrô aqui por perto?", ou qualquer outra tentativa desesperadora de arranjar uma alternativa de voltar para casa. Depois, mais pessoas vão se juntando ao papo, enrriquecendo ele com as animadoras notícias que seus respectivos familiares lhes dão via telefone, como "está sem luz no Maria Maluf, e os semáforos não estão funcionando depois dele", "a entrada de São Caetano está alagada, ninguém passa", "o trem está parado" ou "uma moça do ônibus ao lado acabou de vomitar".

Na quinta hora, uma certa animação toma conta dos já enturmados passageiros. Afinal, já vencemos mais de 70% do percurso e, aparentemente, o trânsito quer dar uma folguinha.

Na sexta hora, finalmente, você se aproxima do seu destino. Grato por este momento estar chegando. Você só pensa em comida, banho e cama. Nem te passa pela cabeça todas aquelas coisas que você pretendia fazer a noite, muito menos aquela prova de eletromagnetismo que você teria no dia seguinte e para qual não estudou.

Às 23:00 finalmente, você chega são e salvo em casa. Agradecido a Sampa por ter possibilitado, com sua inigualável infra-estrutura, o seu novo recorde. Você se sente lisonjeado por o caminho da sua faculdade até sua casa ser mais longo do que uma escala entre Tóquio e Milão. No dia seguinte, você pede que seus amigos adivinhem o horário em que chegou em casa, nenhum dos palpites passa de nove horas, e a cara de espanto quando você revela o verdadeiro horário é impagável.

Mais uma vez, Sampa, Obrigado!

Comentários: 5


O Dia em que a Terra Tremeu...

23 de Abril de 2008

Categoria: Metrópole

Ontem, às nove e uns quebrados da noite, minha mesa parecia se mover sem aparente motivo, as pilhas de papelada ao lado do meu computador começaram a dançar e minha perna esquerda, a única a tocar o assoalho no momento, estranhamente oscilava. Era evidente que já havia passado da hora de parar de estudar cálculo. Minutos depois, meu cirquito de Planet Penguin Racer foi interrompido por um Wilson que anunciava ter sentido o mesmo, há 60 Km de mim.

Ok, poderia ser apenas coincidência, afinal ele também teria prova de cálculo na sexta-feira. Mas decidi perguntar para algumas pessoas que teria certeza que estariam sãs no momento. Enfim, muitas das respostas foram afirmativas, e logo começou o "auê"...

Os jornais televisivos e eletrônicos adoraram a novidade; muita gente ficou com medo, muita gente tentou botar a culpa no governo, no aquecimento global, etc. Outros, mais doidinhos, não perderam a oportunidade e desembestaram a colher dados e a fazer umas continhas...

O epicêntro do treme-treme ocorreu no Atlântico, a 215 Km de São Vicente, no meio do marzão. Isso pode explicar que eu, em São Bernardo, aparentemente senti antes do pessoal que mora na capital. A localização exata (tá, tem uma incerteza de 10,7 Km) foi na latitude 25.713° Sul e na longitude 45.438° Oeste (googlemapsmaníacos, cliquem aqui!). Pode-se ver na imagem abaixo que o evento ocorreu no talude continental, região geologicamente não lá muito estável, a uma profundidade de uns 10 Km.

Se este terremoto de 5,2 Richter (ou, como estamos tratando de uma zona urbana, uns 4 na escala de Mercalli), que acontece umas 800 vezes por ano no mundo, tivesse acontecido em terra firme, teríamos alguns predinhos no chão agora. Outra informação interessante é como se deu a propagação da ondinha. O gráfico abaixo mostra as equitemporais da frente de onda do terremoto, cada linha vermelha representa um minuto de "atraso" em relação ao horário em que se procedeu o tremor no epicêntro, às 21:00:49 no horário de Brasília.

Quem quiser saber mais ou simplesmente se interessar sobre geofísica e sismologia, visite esse site ou esse outro, de onde tirei as imagens deste artigo e em que o terremoto em questão está cadastrado sob o ID us2008reab. Pronto, agora todos os paulistas estão contentes por poderem falar "eu já passei por um terremoto", coisa que raramente um brasileiro poderia falar, sem ter que passar pela dor de cabeça que muitos deles causam.


Pois é... vai ser dificil ver outro pontinho daqueles naquela parte da América do Sul tão cedo... (gráfico de terremotos recentes)

Comentários: 2


Coluna Civilizatória

1° de Março de 2008

Categorias: USP, Metrópole, Curiosidades

Enfim encontrei a resposta! Aquele pilar estranho que construiram ano passado no gramado da Física agora tem uma explicação! É um projeto da ONG Verdever e se trata de uma combinação interessante de engenharia, técnicas milenares, sustentabilidade e arquitetura (ehm...).

De acordo com o site do projeto, ela é "totalmente feita em taipa de pilão e reaproveitamento de resíduos plásticos", mas de acordo com o blog do Professor Ewout1, a coluna foi "construida somente com areia, cal, água e 'baba de cupim'". No entanto, eu, em meu unlimited-'stickface'-mode, quando fui questionar um operário que erguia a coluna na época, percebi claramente a presença de um grosso cano de metal que cortava todo o centro da obra e que parecia sustentar a estrutura.

Mas mesmo com divergências a respeito da composição do cilindro, parece ser um projeto interessante, já que foi projetado para durar milhares de anos e ter alta resistência, mesmo usando técnicas ancestrais e materiais alternativos.


Fonte: Curadores da Terra2

Dá um certo alívio pensar que é só um projeto bonitinho de uma ONG, na época em que começou a ser construida, surgiram várias hipóteses. Como era uma época tensa e conturbada, com a reitoria tomada por estudantes3, pensou-se que era algum projeto de míssil secreto e disfarçado financiado pela FisMat. Mas agora podemos dormir tranquilos sabendo que o teto da FFLCH não vai abaixo sem ser por causas naturais.


  1. Se você leu o artigo até o final antes de ler esta nota, me parece que o Professor Ewout também assume o seu unlimited-'stickface'-mode! U-HU!
  2. Onde tem mais fotos da coluna, incluindo de sua construção.
  3. Neste caso, a palavra "estudantes" deveria ter recibido aspas?

Comentários: 2


Engenharia Brasileira

23 de Fevereiro de 2008

Categorias: Metrópole, Mundo bizarro

Vamos ser francos, só a engenharia brasileira consegue construir meios de transporte flex. Nesta foto, um bom exemplo, a Estação Santo André da CPTM na noite do dia 21, uma linha férrea fácilmente conversível para hidrovia.


Fonte: Diário do Grande ABC

Comentários: 0


Creative Commons License    Gnab Gib - A condensação de um Universo... by Erich Leistenschneider
   is licensed under a Creative Commons License.